Colunistas
Publicado em 10 d Maio d 2013

EXÉQUIAS NA MATRIZ

por Renato Zanoni

Em 1749 nossa cidade se chamava Freguesia de São João Batista e tinha como vigário da Matriz o padre Salvador Cardoso. Nessa época, as irmandades eram poderosas nas igrejas. A Matriz de São João Batista estava composta de três Irmandades: do Santíssimo (a mais rica); das Almas e a de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Na Freguesia estavam edificadas 472 casas.
De acordo com o Clero de São Paulo, a Matriz podia cobrar as sepulturas de quem quisesse a graça de ter ali no solo da Igreja o seu jazigo. O preço variava conforme o privilégio do lugar. Em frente do altar-mor (o transepto), até a grade de comunhão eram cobrados 10 cruzados; no corpo da igreja (a nave) até a portada 2 cruzados; e apenas meia pataca, no adro fronteiro. A igreja tinha o piso atijolado até o ano 1798.
Nesse ano o vigário Frutuoso José Furquim, primeiro Padre da terra, colocou soalho de tábuas e mandou gravar os epitáfios nas sepulturas. As igrejas do Brasil cheiravam mal, por causa desse costume, havia sempre uma emanação de carniça no ambiente. Tal costume foi sendo abandonado e no decorrer dos anos 1800 organizaram-se cemitérios públicos nas cidades.
Daí, o costume do uso da essa nas missas de réquiem. Aquele impressionante estrado com caixão vazio e coberto de preto. Os quatro candelabros acesos completavam a cena elegante.
Só em 1902 que o Coronel João Pires de Camargo e seus filhos, por iniciativa própria, renovaram o piso da Matriz. Pagaram canteiros a trabalhar na Serra e lavrar lajes de pedra. As belas peças de cantaria foram colocadas com grande perícia e a Igreja ficou fresca e salubre. Essas pedras, décadas depois, foram retiradas para receber o piso de ladrilhos. Conservou-se o primeiro degrau do frontispício, para dar o testemunho do zelo dos Pires de Camargo.
Ainda podemos encontrar calçadas com essas bonitas pedras, aproveitadas pela Prefeitura, quando foram descartadas da Matriz. Morreu o chefe da família. Luto fechado por um ano, até as mocinhas só se vestiam de roupa preta. Um ano sem dar gargalhadas. Antes da missa de sétimo dia a casa virava uma oficina, costuravam roupa preta, dia e noite. Seis meses luto fechado. Sétimo mês, aliviar o luto, fazer vestidos pretos com estampados brancos.


Publicado em 10 d Maio d 2013

OS CAMARISTAS

por Renato Zanoni

A Festa de São Sebastião de Atibaia, dia 20 de janeiro, em 1902 seria muito bonita. No programa da festa afixado no comércio e na porta da igreja Matriz de Nossa Senhora do Carmo (Jarinu), anunciava: missa cantada, leilão depois da missa e à tarde solene procissão. Saíram, então, a cavalo do Sítio Vargem Grande, meu avô Zepherino Alves de Oliveira, sua esposa Nhá Milinda e o filho mais velho, Horácio, para a festa. Horácio trazia a cincha, da montaria um bezerro para o leilão. Chovia todas as tardes, pois estavam na estação das águas, muito acentuada nessa época.
Depois de deixar o bezerro no piquete ao lado da Matriz de São Batista, levaram os cavalos na cocheira da Rua Treze de Maio. Acomodaram-se em casa de amigos, costume muito comum interiorano. Nesses dias que ficaram na cidade, meu avô, encontrou-se com autoridades da política local e com amigos. Convidado pelo Major Juvenal Alvim a se candidatar para vereador, representando a Villa de Campo Largo, meu avô, aceitou.
Realizada a eleição, foram eleitos na Chapa Governista os seguintes cidadãos: Major Juvenal Alvim (em seguida eleito Presidente da Câmara); Capitão-Mor Benedito de Almeida Bueno; Capitão-Mor Leopoldo Soares do Amaral; Capitão-Mor José de Aguiar Peçanha; Coronel José Inácio da Silveira; Coronel Thomé Franco; Tenente Joaquim Cintra; alferes José Pereira de Campos e o meu avô Zepherino eleito representante da Villa de Campo Largo
Nhá Milinda sempre contava que foi uma boa desculpa para Zepherino vir a Atibaia duas vezes por mês. Proseava nas farmácias e jogava baralho nalgum bar. Mas, comparecia nas sessões de Câmara. Numa das primeiras dessas sessões da Câmara, foi planejada a construção de um prédio destinado a ser o grupo escolar da cidade, pelo Major Juvenal Alvim.
Nunca soube a razão de ter meu avô tirado o nome Alves, da assinatura dele. Imagino que foi por quizilas políticas. Nesse tempo minha mãe tinha nove anos e foi proibida pelo pai a freqüentar as aulas de primeiras letras, com o Mestre que apareceu em Jarinu. Mas o meu pai Edmundo, com sete anos freqüentava as aulas do Mestre, pois o pai dele tinha um armazém e necessitava que os filhos soubessem ler para no futuro ajudar no balcão.


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