Colunistas
Publicado em 13 d Dezembro d 2018

Bom trabalho é manter governos sob controle

por Luiz Gonzaga Neto

A revista The Economist, em artigo traduzido pelo jornal O Estado de S.Paulo, fez um balanço positivo do crescimento de novos meios de comunicação na América Latina. A conclusão é de que os governos autoritários e as ditaduras propriamente ditas estão enfrentando resistência, com a divulgação eficiente de protestos e manifestações.
Segundo a publicação, em muitos países latino-americanos, a mídia tradicional fez um trabalho razoável de responsabilizar os governos. Jornais de Brasil, Argentina, Peru e Guatemala investigaram a corrupção e ajudaram a derrubar presidentes e ministros. Na Colômbia, a Semana, uma revista de notícias, tem uma longa tradição de denunciar abusos das forças de segurança. Muitos jornalistas, especialmente em províncias distantes, foram assassinados por seu trabalho, muitas vezes por traficantes de drogas ou outros poderosos locais.
The Economist apontou que os mercados de mídia da América Latina tendem a ser pequenos e dominados por magnatas com outros negócios, que prezam pelo bom relacionamento com os governos. Acontece que estão sendo abalados por iniciativas como a de Janine Warner, da SembraMedia, uma ONG que ajuda jornalistas latino-americanos a se tornarem empreendedores. Seu diretório lista mais de 770 sites em 19 países que “atendem ao interesse público” e não dependem de uma única corporação ou partido pela receita.
Nas ditaduras, são as únicas vozes independentes dos meios de comunicação. Na Venezuela, o Efecto Cocuyo (“Efeito Vagalume”) relata fatos que o regime tenta esconder, incluindo contagens de homicídios e a taxa de câmbio do mercado negro. Em Cuba, empresas iniciantes como El Estornudo (“O Espirro”) e o Periodismo de Barrio, embora cautelosos em questionar a legitimidade do regime, trazem relatos críticos sobre o país.
Nessa expansão, Chequeado tornou-se o primeiro site de checagem de fatos da América Latina, que deixa embaraçadas tanto a esquerda quanto a direita. No Brasil, a maioria das revelações da Lava Jato foi dada aos principais jornais pelos promotores. Novos meios de comunicação se concentram em temas negligenciados. O Jota disseca o Judiciário. O Nexo, que já comentei aqui, é especializado em jornalismo explicativo com gráficos e cronogramas. E existe ainda a Agência Pública, que publica todas as suas reportagens em colaboração com outros grupos de mídia. Mesmo financeiramente vulneráveis, os independentes estão fazendo barulho!


Publicado em 05 d Dezembro d 2018

O cometa midiático que não apareceu em nosso céu

por Luiz Gonzaga Neto

Em 1986, a população esperava ansiosa pela passagem do cometa Halley. O fenômeno seria um espetáculo singular, de acordo com a mídia. Apesar do alarde e expectativa, o Halley frustrou todo mundo. No lugar de um astro brilhante com uma grande cauda, uma pequena mancha no céu quase imperceptível.
A descrição acima foi feita pelo programa Globo Ciência. Aqui, em Atibaia, o poder público e parte da população e dos empresários apostaram naquela época na possibilidade da nossa urbe ser um ponto estratégico para visão do cometa. Não foi. Nossas montanhas não foram capazes de preencher a ânsia de moradores e visitantes.
O presidente do Conselho Municipal do Idoso, Augusto Luppi, lembrou o episódio na reunião desta semana. Antes do Halley aparecer, ele teve contato com a Rede Globo e procurou “vender” a ideia de que, na Pedra Grande, havia uma descoberta mística a ser constatada, o rosto de Cristo inscrito na rocha. A equipe da emissora não “comprou” a ideia, querendo apenas detalhes técnicos.
A observação do cometa poderia dar uma imagem, reforçar o marketing da cidade conhecida por seu ar puro. Seria uma forma de aproveitarmos as especulações, o interesse da imprensa, as informações de que o cometa seria bem mais visível do que realmente foi. Segundo os astrônomos, a explicação para sua invisibilidade é de que a cauda do cometa só se forma quando ele está perto do Sol, o que não aconteceu naquela ocasião.
Ou seja, foi decepcionante mesmo, porque ninguém viu nada. Era mais sutil do que um algodão-doce. Além disso, as pessoas tinham a ilusão de que o cometa passaria como um fogo de artifício. À medida que se aproxima, o cometa parece na verdade estar parado, por nossa visão. A história do Halley foi diferente porque, no início do século XX, em sua primeira aparição, já existia uma mídia formada, com jornais e rádios. O Halley tornou-se assim um cometa midiático.
Na madrugada de 18 para 19 de maio de 1910, o cometa Halley era esperado e as notícias divulgadas pela imprensa sobre um gás letal e venenoso presente em sua cauda criaram um clima de pânico. A descoberta científica sobre a composição química dos cometas motivou uma série de superstições, especulações e até exploração comercial, como se viu em Atibaia, 76 anos depois. Pura fantasia, caros leitores!


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