Colunistas
Publicado em 07 d Fevereiro d 2019

O comportamento da mídia nas tragédias

por Luiz Gonzaga Neto

A tragédia ambiental de Brumadinho (MG), com a literalidade do simbólico "mar de lama", nos faz refletir sobre o comportamento da mídia nesses momentos de comoção nacional, de sensação de perda e impotência diante do descaso, tanto governamental quanto empresarial.
Mas o que fica de tanta falação, de imagens tristes que se repetem em todos veículos de comunicação, de críticas que - já sabemos - serão passageiras? Quem vai pagar por tudo isso? Que ganhos a população vitimizada poderá ter após o esquecimento de mais essa tragédia?
O jornalismo tem futuro? - pergunta Jill Lepore em um texto que fala sobre a era das redes sociais e das "fake news". Pois é. A imprensa ética e de princípios, que apura bem suas notícias e aprofunda seus tremas, sobreviverá certamente como bem público e conquista cultural e política de nossas sociedades. Em meio ao material lodoso sobre a nova tragédia anunciada mineira, vimos bons perfis humanos, além de questionamentos importantes sobre a responsabilidade de governos e empresas.
Jornalistas reconhecem sua responsabilidade profissional e de como é difícil manter a isenção ao reportar fatos que mexem com a sensibilidade pessoal, em casos de grande comoção. Mas como manter a distância do fato? Se o envolvimento emocional é muito grande, o comunicador deve evitar atuar no caso?
Aurélio Munhoz, jornalista e sociólogo, diz que a mídia tem todo o direito – e, mais que isto, o dever – de noticiar tragédias. Fornecer informações de interesse público é uma das suas atribuições. "As escolas de jornalismo sérias ensinam, porém, que o tratamento de assuntos desta natureza pressupõe cuidado extremo. Não por acaso. É tênue, muito tênue, o limite que separa a informação de interesse público da notícia convertida em espetáculo com objetivos escusos". Quando isso acontece, temos a chamada “espetacularização” da notícia. E tudo de bom se perde.


Publicado em 31 d Janeiro d 2019

A sociedade contemporânea no divã

por Luiz Gonzaga Neto

Sentir. Mostrar. Legitimar. Consumir. A sociedade contemporânea vai manifestando questões que a obra de Freud dificilmente teria previsto, refletiu o Fronteiras do Pensamento. “Temos um sujeito que sequer sabe o que deve buscar em sua vida. Um sujeito perdido e absorto na crença de se satisfazer com objetos. Temos uma juventude que passa reto pela separação dos pais rumo à vida autônoma. São tempos em que a própria ideia de autonomia vai sendo substituída – da liberdade de se tornar para a liberdade de possuir”.
O diagnóstico e os mecanismos que definem o sujeito hoje – especialmente os jovens – foram tema de entrevista que Charles Melman e Jean-Pierre Lebrun concederam com exclusividade ao Fronteiras do Pensamento. Nossos mais secretos vícios, medos e desejos ficaram, literalmente, no divã. É um tema para a mídia em geral.
Segundo os psicanalistas, os jovens buscam nas telas, no vício em mídias sociais, selfies e outras ferramentas, o reconhecimento que não têm mais de pais e sociedade. A saída é a autolegitimação por uma via quase cinematográfica, por um palco. Se a vida é uma representação, precisamos do teatro. É isso?
“Temos hoje uma sociedade como jamais houve, que permite a esses indivíduos que a constituem de encontrar uma via própria de fazer seus próprios caminhos. Nunca tivemos isso. Não há sociedade que tenha deixado os sujeitos tão livres para fazerem aquilo que têm vontade. Mas, ao mesmo tempo, não há sociedade que não deixe os sujeitos tão sem ajuda, sem base para permitir que esse desejo se constitua e que eles de fato encontrem um caminho verdadeiro”, afirmaram os entrevistados.
“No fundo, nós somos um pouco uma imagem sobre a liberdade que temos, porque é uma liberdade de consumir. Não é uma verdadeira liberdade. Ainda há uma grande educação para se criar, tanto do lado da educação quanto do lado da orientação da sociedade, para que se torne uma sociedade em que os sujeitos sejam livres, ou seja, que aceitem as proibições, meio pelo qual eles se tornam livres”, resumiram. E aí entram o desafio da paternidade, a colocação de limites e a superação das fronteiras.


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