Publicado em 03 d Outubro d 2017

Pesquisador cria linha de cicatrizantes à base de urucum

Paulo Stringheta estudou e concluiu seu ensino básico na Escola Major Juvenal Alvim em Atibaia. Só saiu da cidade para fazer faculdade de Agronomia em Viçosa em 1972.

O professor Paulo César Stringheta e o inventor mineiro Aloísio Reis

O professor vinculado à Universidade Federal de Viçosa (UFV-MG), Paulo César Stringheta, em conjunto com o inventor mineiro Aloísio Reis, descobriu a técnica de obtenção do extrato das sementes de urucum que deu origem a um conjunto de produtos cicatrizantes. O pesquisador Paulo César nasceu em Araçatuba (SP) e viveu sua adolescência em Atibaia. É filho de César Stringheta e Delzide Janussi Stringheta, família que tem tradição no comércio, na política e no turismo da cidade.
Paulo Stringheta estudou e concluiu seu ensino básico na Escola Major Juvenal Alvim. Só saiu da cidade para fazer faculdade de Agronomia em Viçosa em 1972. Segundo relatos do professor, Atibaia na época era pequenina e muito tranquila. “Foi em Atibaia que eu vivi a melhor parte da minha vida. A gente era muito feliz e nem sabia” conta.

FORMULAÇÃO IDEAL
Após 17 anos de pesquisas na UFV em parceria com o mecânico Aloísio Reis, Stringheta encontrou a formulação final ideal do extrato de urucum. Juntos, eles criaram uma linha de produtos fitoterápicos à base de semente de urucum, capaz de reduzir o tempo de cicatrização das lesões cutâneas. Os resultados são muito superiores aos de produtos similares que já estão no mercado, e sem efeitos colaterais ou qualquer restrição ao uso.
As quatro pomadas chegaram ao mercado por meio da Profitus, empresa criada em 2008 e vinculada à Incubadora de Empresas de base tecnológica do CENTEV/UFV. Devido à grande repercussão, a descoberta chamou a atenção do mundo e a Profitus já recebeu propostas de países como Austrália, Nova Zelândia, Portugal, Alemanha, Angola e Nigéria para exportar os produtos.

RESULTADOS DOS PRODUTOS
Os resultados obtidos pelos pesquisadores em laboratório mostraram que a concentração do extrato do urucum pode variar, o que possibilitou o tratamento de várias lesões dermatológicas. Assim, foram desenvolvidas quatro pomadas indicadas para diferentes tipos de lesões.
A Millitus Derm tem sido utilizada amplamente por diabéticos e não diabéticos para tratar feridas de difícil cicatrização, como pé diabético, úlcera varicosa e por pressão. Pode ser utilizado para recuperação rápida de atletas, uma vez que não possui ativos proibidos como as pomadas a base de corticoide.

DIFERENCIAL DOS CREMES
O Profitus Newderm é utilizado no tratamento de doenças como psoríase, dermatite e outros problemas cutâneos. O Profitus Dermalive é utilizado no tratamento de queimaduras de 1º e 2º grau, auxiliando na redução da dor e na reconstrução dos tecidos sem deixar marcas. Já o Golden Age é indicado para peles sensibilizadas ou debilitadas, auxiliando na recomposição celular e dos tecidos de pacientes da Terceira Idade. Estimula a produção de colágeno, ajuda a prevenir pequenos traumas e hematomas e ainda age contra a má circulação.
“O diferencial é que os cremes são feitos com extratos naturais. Não são fármacos, mas sim fitocosméticos. Tecnicamente, são chamados de cosmecêuticos e representam uma linha tênue entre fármacos e cosméticos. São produtos que não são somente estéticos já que possuem a capacidade de alterar as características da pele, não sendo, entretanto considerados medicamentos. Por serem produtos com princípios ativos de origem natural, não apresentam qualquer contraindicação no uso em lesões dermatológicas”, afirma o pesquisador.
SURPRESA EM TRATAMENTO
O enfermeiro e cuidador de pessoas que necessitam de atenção especial, Isaias Silveira, testou a Millitus Derm em um paciente que estava com escaras (úlcera por pressão) há algum tempo. Ele revelou-se surpreso com a rapidez com que a pomada fez efeito. “Qualquer outro produto demora aproximadamente um ano para obter o resultado que obtive em 45 dias com a Millitus. Ela ainda tem um uso muito fácil, não impregna na ferida e apresenta resultado extraordinário”.
O paciente de Isaias atualmente já conseguiu cicatrizar a escara completamente, depois de 60 dias. O enfermeiro declara ainda que “é importante ressaltar que depois que começamos a utilizar a Millitus Derm ele não sentiu mais dor nem ardência. Agora eu indico essa pomada para todo mundo, já tenho cinco pacientes usando e espero poder ajudar muita gente ainda.”.

DE MANEIRA
INUSITADA
A descoberta do poder cicatrizante do urucum se deu de maneira inusitada. O pesquisador e um dos fundadores da Profitus, Aloísio José dos Reis, conta que em 1999, ao manipular o urucum com as mãos machucadas, percebeu o efeito cicatrizante do produto. “As lesões melhoraram de forma muito rápida”, diz. Curioso, Aloísio procurou o professor Stringheta e ambos utilizaram uma fração das sementes para obter o remédio natural.
A partir daí, foram 17 anos de pesquisas realizadas com o apoio da Universidade Federal de Viçosa. A dupla desenvolveu tecnologia própria capaz de retirar o extrato do fruto de forma mais eficiente e a baixo custo e deram início ao desenvolvimento dos produtos.
O professor Paulo Stringheta ressaltou que diversos trabalhos foram feitos anteriormente no laboratório de Corantes Naturais e Compostos Bioativos da UFV e serviram como pano de fundo para teses de doutorado, dissertações de mestrado, artigos, e o livro: Pigmentos de Urucum – Extração, Reações Químicas, Usos e Aplicações.

QUEM SE BENEFICIA
Os benefícios sociais da descoberta e dos produtos resultantes dela são imensos. No Brasil, segundo pesquisa realizada em 2014 pela International Diabetes Federation (IDF), existem 11,6 milhões de pessoas com diabetes e, em 2010, foram registrados 55 mil casos de amputação no país em pacientes com lesões causadas por diabetes. Outro dado mostra que 20% das internações por diabetes são em função de lesões dos membros inferiores e 80% das amputações não traumáticas acontecem por causa das feridas não cicatrizadas. Segundo dados da pesquisa CLEAR, encomendada pela Novartis, no Brasil existem cerca de 3 milhões de pessoas com psoríase. No Brasil, são mais de 40 milhões de pessoas com dermatite atópica, em sua grande maioria crianças.
Os resultados obtidos em laboratório mostraram que as diferentes concentrações do extrato do urucum poderiam ser aplicadas no desenvolvimento de produtos para tratamentos de diversas lesões dermatológicas. - Por Ingrid Carraro

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