Publicado em 09 d Maio d 2017

Aprovação da reforma da Previdência pode levar o dólar para menos de R$ 3

No entanto, cenário não é certo e analistas recomendam que a compra da moeda estrangeira seja feita em várias etapa.

Ilustrativa

Quem já marcou viagem ao exterior nas férias de julho, ou planeja uma escapada no fim do ano, precisa acompanhar com atenção os trâmites da reforma da Previdência no Congresso.
Isso porque, de acordo com especialistas, a cotação do dólar será fortemente influenciada por uma vitória do governo — o que seguraria o câmbio, podendo até puxá-lo para baixo. No caso de uma derrota, no entanto, o dólar comercial, que tem oscilado um pouco abaixo dos R$ 3,20, poderia subir com força.
— Os próximos dias serão decisivos. Os investidores querem ver a reforma aprovada — frisou uma fonte do governo.
Há até quem avente a hipótese de um dólar abaixo de R$ 3, citando outros fatores além da reforma da Previdência. Como uma possível reabertura da repatriação de recursos mantidos no exterior, o que teria um impacto no já forte fluxo de remessas para o Brasil. Só nos 20 primeiros dias de abril, o saldo líquido (descontadas as saídas) foi de US$ 9,1 bilhões.
Também pesam na balança do câmbio as decisões do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Isso porque um juro maior nos Estados Unidos atrairia investidores, que retirariam recursos de mercados emergentes, como o Brasil, levando a uma pressão maior sobre o dólar.
Na semana passada, o Fed manteve a taxa básica inalterada, no intervalo entre 0,50% e 0,75% ao ano. Analistas de mercado, no entanto, dão como certa a alta dos juros no mês que vem. A dúvida é com relação à intensidade desse movimento.
Na última sexta-feira, os dados de emprego mostraram a recuperação do mercado de trabalho: foram criadas 211 mil vagas em abril, e o índice de desemprego recuou a 4,4%, nível pré-crise. A renda do trabalho, no entanto, sofreu uma leve desaceleração, o que pode travar uma alta maior dos juros pelo Fed.
Todos esses fatores reforçam uma velha regra dos economistas: divida a compra de moeda estrangeira em várias vezes. Dessa forma, é possível se proteger contra variações bruscas. É o que recomenda o economista-chefe da Austin Ratings, Alex Agostini:
— Ninguém tem certeza do que acontecerá com o câmbio no momento seguinte.
Já para o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, o ideal é comprar agora. Segundo ele, não haverá uma queda muito forte. Rosa descarta a possibilidade de o dólar chegar a R$ 3. E também diz que não deve subir muito:

— Não vejo esse risco.
A projeção para o câmbio no fim do ano, de acordo com o boletim Focus, apurado pelo Banco Central junto ao mercado, é de R$ 3,23. Para o chamado Top 5, o grupo que mais acerta projeções, é de R$ 3,35.
Quanto mais cair a moeda, mais estímulo o brasileiro terá para fazer as malas e cruzar as fronteiras. Ânimo não falta: apenas no primeiro trimestre, os gastos dos turistas no exterior cresceram 51%. De janeiro a março, as despesas lá fora somaram US$ 4,5 bilhões. Um dólar ainda mais baixo inflaria esse número.
Apesar de o recuo da moeda americana ser visto com alívio por quem quer visitar outros países, as exportações são prejudicadas. Por isso, um grupo de intelectuais, juristas, políticos e artistas lançou, na semana passada, um manifesto que sugere, entre outra coisas, a busca por um real menos valorizado. O documento foi encabeçado pelo ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira.
André Perfeito, economista-chefe da corretora Gradual, é contra a busca de um chamado “câmbio de equilíbrio”, ou seja, um patamar em que o dólar se mantivesse valorizado, mas não o bastante para pressionar a inflação. Ele lembra que a economia brasileira voltou a se basear no tripé formado por política fiscal, metas de inflação e câmbio livre.
— Acho totalmente sem sentido falar em juro de equilíbrio. Para fazer uma política cambial ativa, tem de abrir mão de política monetária ou de fiscal. O melhor é deixar o câmbio flutuar — afirma o economista.
Os riscos, no entanto, continuam a existir. A tramitação da reforma da Previdência no Congresso tem sofrido percalços — já houve várias modificações na proposta, e a votação corre o risco de atrasar. Crises políticas têm impacto no câmbio. Basta lembrar que, no início de 2016, o dólar era negociado acima de R$ 4. E há as tensões externas, como entre Coreia do Norte e EUA, além da volatilidade dos preços das commodities.
Uma disparada do dólar voltaria a alimentar a inflação e a recessão.
— Estamos com uma política econômica melhor, mas estamos em um momento crítico —resume o especialista em câmbio da corretora Icap Ítalo Abucater.

Fonte: O Globo

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