Publicado em 10 d Abril d 2018

Como viver em si sem conhecer-te?

Por Anna Luiza Calixto

Anna Luiza Calixto

Quando se conhece o próprio corpo, torna-se muito menos árdua a tarefa de educar a mente para respeitá-lo. Partindo deste pressuposto, educadores de todo o território global têm colocado em pauta a importância da educação sexual dentro das salas de aula, como ferramenta de combate ao abuso e à exploração de tais condições no cotidiano de nossas crianças e adolescentes.
Distribuindo folhas coloridas e canetas para os mais de doze mil alunos atendidos pelo Projeto Os Cinco Passos desde 2016, pedia para que (aqueles que se sentissem confortáveis) desenhassem a maneira como enxergavam seus corpos e, em volta deles, um contorno da distância que acreditavam ser a mais adequada para a aproximação de quem conheciam. Os mais distintos e imprevisíveis recortes vieram como resposta à dinâmica e, a cada vez que a proponho, descubro um pouco mais sobre a absurda diversidade humana no que se refere à percepção individual do próprio corpo e da maneira como cada um entende a interação (ou não) do mesmo com o mundo.
Contornos rentes à silhueta bem como outros tangentes à margem das páginas coloridas. Corpos desenhados aos moldes de esteriótipos não correspondentes à realidade tais como outros absolutamente deturpados em relação às condições naturais dos mesmos.
Trabalhar com o material denso deste estudo a respeito de como situamos o espelho interno de cada ser enquanto unidade individual de si e coletiva do todo, permitiu-me refletir sobre a influência de forças externas sobre o nosso desenvolvimento sexual em paralelo ao desejo e orientação também sexual, ambos caminhando ao lado do prisma pessoal dos caminhos que nos permitem chegar a própria identidade - o que conhecemos como uma tremenda empreitada.
A equação é simples: - quanto mais cedo habituamo-nos a conhecer saudavelmente nossos próprios corpos e entender o limite entre o espaço entre eles, constrói-se uma proporcionalidade direta com a facilidade em que situamos nossa sexualidade e fomentar ferramentas para, futuramente, romper ciclos de violência e relacionamentos abusivos. Como prova disto, a dificuldade imensa de muitos de nossos contemporâneos de vislumbrar, por exemplo, a prisão existencial que muitos relacionamentos se tornam - como enxergar a tempestade quando se está dentro do olho do furacão?
Socraticamente falando, "conhece-te a ti mesmo". A partir desta experiência com as crianças e os adolescentes do Projeto (que nos permitiram mapear ocorrências de abuso sexual do público atendido), ensinando-me as mais diversas possibilidades de se conhecer um mesmo corpo, estendi a reflexão aos outros espaços a que a minha voz chega, como o próprio Portal de jornalismo e mobilização da Rede Peteca, onde atuo com a Coluna "Quem tem boca vai à luta", onde temáticas como a erotização infantil já foram e continuam sendo pautas que alçam os quatro cantos do país, promovendo transformações de correntes de pensamento nocivas.
A resposta está na liberdade de ser e no poder de não permitir que outros interfiram na identidade singular, na satisfação pessoal e na força de sentir o que for e quando for tempo para tanto. A maior arma de prevenção é a consciência do todo da força de suas partes.

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