Publicado em 03 d Maio d 2018

Porque você é problema nosso

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Anna Luiza Calixto

Enquanto sujeito social da sala de aula - laboratório do mundo, conforme já refletimos outrora - o aluno se diferencia dos demais por suas habilidades, características, peculiaridades e, como não poderia ser diferente, campos em que apresenta mais dificuldades para obter êxito; ou ainda, inquietudes que se manifestem mais acentuadamente do que nos demais. O que deveria ser natural, muitas vezes remete ao baixo rendimento e à dificuldade de aprendizagem de alguns alunos, o que (por sua vez) provoca o sentimento de impotência dos professores para lidar com essa situação, formando um círculo vicioso.
São caminhos que bifurcam. Ou seja, quanto mais o professor acredita na incapacidade do aluno mais ele acredita na sua incapacidade de ensinar.
O professor só transforma a realidade se puder conhecê-la e encarar os fatos. Transformar a queixa em problemática concreta com potenciais resoluções é o primeiro caso. Partindo desta premissa, cabe a nós compreender o variado prisma em que se dispõem as peculiaridades dos alunos, sobre as quais devem ser moldados os processos de aprendizado.
O modelo educacional brasileiro pode, bem como deve, ser repensado e expandido para além dos moldes arcaicos que não comportam a diversidade do corpo estudantil - universalizar os aspectos dos estudantes se compara ao absurdo. Tentar ensinar peixes a andar de bicicleta e frustrar-se por não obter o rendimento esperado. Estamos a um passo de explorar as potencialidades dentro das salas de aula.
No Brasil, boa parte dos alunos não consegue concluir satisfatoriamente sua jornada escolar - processo este que se convencionou chamar de “fracasso escolar”. Mais ainda, quando se investiga a qualidade do ensino ministrado para os alunos que permaneceram na escola, o quadro não é menos desolador. Esse último efeito tem sido denominado de “fracasso dos incluídos”.
Para muitos, é certo que as questões que enfrentamos na educação brasileira têm relação imediata com a atuação do professor. Mas quando existe a proposta de pesquisar as razões dos fracassos escolares que rondam nossa sociedade, vemos despontando um conceito muito polêmico: o do esteriótipo de aluno problema, equivocadamente assim denominado por inúmeros vieses socialmente construídos.
A indisciplina e o baixo aproveitamento dos alunos tornam-se duas faces de uma mesma moeda, pois alunos-problema podem ser tomados como privilégios para a ação docente alcançar a almejada excelência profissional. Quando na realidade, o que se busca, no caso do exercício profissional de qualidade, é uma situação-problema e a possibilidade de equacioná-la ou suplantá-la.
Com isso, podemos observar que na própria ideia de entender como a atuação docente pode combater o fenômeno indisciplinar, algumas suposições acabam se tornando armadilhas que não conseguem alterar os rumos e os efeitos do trabalho pedagógico.
Nessa reflexão, é preciso que o professor compreenda que o aluno-problema é um porta-voz das relações estabelecidas em sala de aula e que a imagem de aluno ideal, do modo como ele deveria ser e dos hábitos que ele deveria cultivar, deve ser abandonada. Em relação à prática, que o objetivo da ação do trabalho docente seja o compromisso com o conhecimento; e a experimentação de novas estratégias de trabalho e investigação da prática, sejam necessidades.
Reinventar as práticas pedagógicas e, assim, oportunizar novos horizontes para o cenário educacional brasileiro. Apresentar aos peixes, sua liberdade para nadar.

Por Anna Luiza Calixto

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