Publicado em 30 d Maio d 2018

Dines escreveu para o “Tentativa”, de Atibaia

Por Luiz Gonzaga Neto

Jornalista carioca Alberto Dines

Minha ideia era escrever um artigo com o título “Gentalha, gentalha, gentalha”, em homenagem ao sucesso eterno do Chaves. Mas a morte do grande jornalista carioca Alberto Dines, aos 86 anos, enobreceu meus sentimentos, nessa sintonia de reverência ao profissionalismo, seriedade e coerência.
A Celita Stamatiu, de Atibaia, lembrou que Dines tinha 17 anos quando teve seu primeiro texto publicado pelo jornal " Tentativa", de André Carneiro, Cesar Memolo Júnior e Dulce Carneiro. Quando preparava a edição do jornal em fac-símile, Celita o procurou e recebeu dele esta mensagem por e-mail: "Cara Araceles, você caiu do céu! Há muitos anos procuro notícias do Tentativa. Foi o primeiro jornal a publicar um texto meu”.
Nos meus tempos de faculdade, li de Dines o famoso livro “O papel do jornal”, até hoje um clássico do jornalismo. Mas o que mais me marcou mesmo, do seu trabalho, foi a coluna “Jornal dos Jornais”, publicada na Folha de S. Paulo nos anos 80, com seus comentários sobre a própria prática da comunicação. Ele esbanjava ali sabedoria, respeito aos princípios democráticos e humanismo/iluminismo. A coluna antecedeu a experiência do ombusdman, que se tornou instituição na Folha e continua até hoje.
A criação do Observatório da Imprensa, como extensão dessa abordagem já em tom mais acadêmico, coroou a carreira de Dines, como verdadeiro professor de jornalistas. Como apontou o Nexo Jornal, em entrevistas recentes Dines ressaltou como a observação da mídia tinha se tornado uma prática corriqueira na era da internet, não sem consequências indesejadas. “Como em todos os avanços, esse traz um contrapeso penoso. Ninguém gosta de ser criticado”, afirmou.
“Graças às novas tecnologias, se criou uma série de opções informativas que fragmentaram e desorganizaram o processo informativo e o tornaram ainda mais vulnerável a toda sorte de interesses, idiossincrasias e deformações”, disse. É muito importante ter a consciência de que “cada palavra solta no espaço tem um peso, um preço, gera uma responsabilidade. Só assim o poder fiscalizador da imprensa pode ser exercido sem prepotências e distorções”.
Quem diz que é jornalista e não segue esse modelo, fica merecendo mesmo a brincadeira do Chaves: “Gentalha, gentalha, gentalha”. Vai com Deus, Dines!

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