Publicado em 30 d Outubro d 2018

Anna Luiza participa de série especial exibida pela TV Cultura sobre o tempo das crianças

Jovem escritora atibaiense participa de série especial exibida pela TV Cultura sobre o tempo das crianças

A apresentadora Andresa Boni presta seu apoio à Campanha Chega de Trabalho Infantil, ao lado da Colunista e Entrevistada Anna Luiza Calixto

“Quem é a criança que nasce em plena era digital? Como a sociedade a vê? Como a Escola a trata?” – Andresa Boni, apresentadora do Programa Panorama (exibido na TV Cultura) utiliza-se destas palavras para introduzir a discussão sobre a circunstância em que crescem as crianças durante a globalização e informatização do mundo; bem como – no território brasileiro – desenvolvem-se em plena crise política.
As entrevistas transcorreram desde a colonização brasileira, atravessando em nossa linha do tempo momentos históricos marcados pelo não reconhecimento da criança enquanto sujeito de direitos, bem como pela naturalização da violência a este público, até capítulos imprescindíveis e memoráveis por nossas conquistas e pela contextualização destes meninos e meninas enquanto atores sociais, cujos direitos precisam ser protegidos e vistos como prioridade absoluta.A Série que celebra a data e homenageou os pequeninos em edições inéditas foi ao ar nos dias dez, onze e doze de outubro, mas mantém-se disponível no site da emissora, no YouTube e no aplicativo Cultura Digital.
Abordando aspectos atuais do crescimento da criança, de sua socialização, desenvolvimento e envolvimento com as pautas da garantia de seus direitos, com o seu protagonismo sócio político, o Programa que apresentou a criança do presente, teve como convidadas a jovem ativista e colunista do Jornal O Atibaiense Anna Luiza Calixto, ao lado da neuropsicóloga e psicopedagoga Adriana Foz. “Educamos nossos meninos e meninas em um espectro de ‘vir a ser adulto’, não raro desrespeitando seus desejos em um impulso cultural que se manifesta em jargões que acentuam a inferioridade quase institucional que grita ‘criança não tem que querer nada’. O futuro de uma nação que nos espera crescer para compreender o peso de nossas vozes, como se houvesse uma fada dos dezoito anos, para visitar a cada um na meia noite do seu aniversário – em que alcançamos a maioridade – e nos transformar em seres completos, os tais adultos. Eu não sei vocês, mas passei toda a minha adolescência esperando a tal fada e ela não veio! Isto porque a construção de um indivíduo responsável e consciente de sua atuação social se dá no fomento contínuo do pensamento crítico – e não tolindo a criança de sua espontaneidade e a colocando em situação vexatória em decorrência de suas peculiaridades. Estes traços adultocêntricos são sequelas do período ‘menorista’ brasileiro.” – conta Anna, vestida com a estampa de sua Coluna Quem tem boca vai à luta, sobre a qual também falou durante a Entrevista, como exemplo de estímulo saudável e responsável à inclusão de jovens na discussão sobre os seus direitos.
Anna finalizou sua participação no Programa deixando um recado para as crianças que as assistiam, dando destaque ao momento particularmente delicado na esfera política brasileira, em um capítulo que ameaça os direitos infantojuvenis. “O ECA não está morto e não vamos deixar que ele morra. Vamos permanece-lo vivo, porque o sangue que corre em nossas veias é de luta. O ECA não vai pra latrina, mas sim para a pauta, as discussões, as Escolas e, principalmente, para a nossa vivência enquanto crianças e adolescentes!” – bradou a escritora e palestrante.
Buscando visibilizar o contraste temporal na linha do tempo das crianças brasileiras, a Série O Tempo das Crianças acentuou o quão frequentes têm se tornado temas como educação, família, meio ambiente, política e igualdade étnica e de gênero na vida dos meninos e meninas, movimento herdeiro da inclusão dos mesmos brasileirinhos nas discussões, de sua concepção enquanto sujeitos de direitos e do processo de maturação social em cima de suas características de transição. “Pró ativa, questionadora e atenta a sua realidade, a criança de hoje carece – em uma perspectiva um tanto quanto crítica – de um fluxo educacional que a possibilite também ser mais perceptível ao outro. As crianças nunca estiveram tão presentes e nunca foram tão o presente. Elas não querem esperar crescer para serem o que quiserem, elas já o podem ser.” – aponta a Colunista Anna Luiza, destacando a necessidade de desconstrução da perspectiva totalizante e estereotipada que assenta o perfil da criançada.
Zelar pelo cumprimento da proteção aos direitos das crianças deixa de ser apenas uma responsabilidade e se torna um desafio. Neste processo, a participação efetiva dos meninos e meninas nunca foi tão necessária e nunca fez tanto sentido. As crianças e os adolescentes são a peça que falta no quebra cabeça – um mosaico difuso – da rede protetiva. E, quando os encaixarmos (sem moldá-los ao nosso formato prosaico ou aparar suas arestas) teremos os filhos que não fogem à luta. Mas, para tanto, é necessário que nos tornemos a Mãe gentil, a pátria amada; um sonho intenso; um raio vívido de amor e de esperança.

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