Publicado em 16 d Janeiro d 2019

Os escândalos envolvendo líderes espirituais

Os casos do líder humanitário Prem Baba e do médium João de Deus chamaram bastante atenção e ganharam muito espaço na mídia.

João de Deus

Escândalos costumam ser boas fontes de informação, embora destruam reputações e gerem mal-entendidos e distorções na percepção sobre temas polêmicos da sociedade, como fé e sexualidade. Neste último ano, tivemos noticias que foram verdadeiras "bombas" no território espiritual, envolvendo líderes de comunidades com milhares, mesmo milhões, de seguidores.
Os casos do líder humanitário Prem Baba e do médium João de Deus, guardadas as diferenças e dimensões dos problemas envolvidos de cada um, chamaram bastante atenção e ganharam muito espaço na mídia. Sabe-se que, quando o jornalista lida com esse tipo de assunto, corre sempre o risco de ser chamado de ateu, sensacionalista ou "terrorista" (destruidor de famas "autênticas").
Claro que, ao longo da história, observamos exageros por parte dos colegas da imprensa. Seria muito bom que essa abordagem fosse limitada aos líderes e suas personalidades, nem sempre equilibradas de acordo com os princípios gerais de comportamento em nossa sociedade, e não entrasse em conteúdos restritos às crenças e às práticas religiosas. Às vezes, identificamos certa leviandade e falta de respeito por parte de profissionais-comunicadores.
Na verdade, esse território da espiritualidade ainda não tem uma boa cobertura pela imprensa, pelo motivo mesmo de implicar conhecimento teológico, experiência prática e posturas e métodos distantes do velho e bom racionalismo. Ou seja, se só existe aquilo que posso comprovar diante do meu nariz, a realidade exibida e a qualidade da produção da mídia serão tão pobres quanto essa má-vontade. A arte, especialmente a literatura, é rica em bons exemplos de superação, alcance e iluminações, para a imprensa.
O que foi produtivo em tudo isso que ainda nos afeta? A humanização dos líderes espirituais, que demonstram poderes ocultos, mas também podem apresentar distúrbios de personalidade; a necessidade de critérios na busca de orientadores religiosos (e aqui nem falamos nos casos de abuso e pedofilia levantados pela Igreja Católica); a sintonia com movimentos nacionais e internacionais pelo empoderamento feminino e contra o assédio e o abuso moral e sexual; e a abertura para novos temas do conhecimento, da teologia e da ciência.
Meu balanço é, portanto, positivo. Em meio ao tiroteio, sobrevivemos todos - graças a Deus!

Por Luiz Gonzaga Neto

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