Eleições 2026 mostram nova força política em Atibaia
As urnas de 2026 deixaram uma mensagem importante para quem acompanha a política de Atibaia: o mapa eleitoral da cidade mudou com a vitória do PL do prefeito Daniel Martini.
O Partido Liberal (PL), partido do prefeito Daniel Martini, saiu fortalecido. Ao mesmo tempo, dois nomes que há quatro anos concentravam boa parte do voto local para deputado tiveram desempenhos bastante diferentes. Saulo Pedroso perdeu muitos votos em sua própria cidade, enquanto Lucas Cardoso cresceu, mas em uma proporção menor do que poderia sugerir a estrutura política que se formou ao seu redor, enquanto Ana Beathalter também diminui seus votos.
COMECEMOS PELO PL
Em 2022, Jair Bolsonaro teve 48.671 votos em Atibaia. Em 2026, Flávio Bolsonaro chegou a 53.602. O partido também apresentou votação expressiva para deputado: 24.219 votos para federal e 25.775 para estadual, considerando votos nominais e de legenda. Lucas Pavanato, sozinho, alcançou 13.809 votos para federal, enquanto Eduarda Campopiano teve 9.342 para estadual.
Não se trata apenas de uma votação presidencial. O partido do prefeito conseguiu colocar sua marca também na disputa proporcional. E aqui está uma das particularidades desta eleição.
Daniel Martini não colocou um candidato de seu grupo para disputar diretamente com Saulo na eleição para federal ou com Lucas na eleição para estadual. Isso deixou os dois candidatos locais relativamente livres para buscar seus próprios votos, sem uma candidatura governista de peso dividindo diretamente esse eleitorado, talvez pensando estrategicamente em ter candidatos da cidade eleitos. O resultado, porém, foi diferente para cada um.
SAULO PERDE VOTOS EM ATIBAIA
Saulo talvez seja o caso mais emblemático. Em 2022, recebeu 25.041 votos em Atibaia para deputado federal. Na eleição para prefeito de 2024, chegou a 27.380 votos, ficando em segundo lugar. Daniel Martini venceu com 37.913. Agora, em 2026, Saulo recebeu 18.004 votos na cidade. São 7.037 votos a menos que em 2022 e 9.376 a menos que na eleição municipal de 2024.
Outro dado relevante: o eleitorado apto a votar de Atibaia cresceu em mais de 4 mil, de 2024 para 2026, mas a votação de Saulo não acompanhou.
Mas existe uma ironia eleitoral interessante: enquanto perdeu força justamente em sua principal base, Saulo cresceu no Estado. Passou de 80.186 votos em 2022 para 95.096 em 2026 e, desta vez, conquistou diretamente uma cadeira na Câmara dos Deputados. Ou seja, Saulo ganhou a eleição estadual, mas perdeu bastante terreno em Atibaia.
LUCAS CARDOSO APRESENTA UMA SITUAÇÃO DIFERENTE
Em 2022, ele recebeu 11.290 votos em Atibaia. Em 2026, Lucas chegou a 13.238 votos. Cresceu, portanto, 1.948 votos. Mas a leitura política fica mais interessante quando lembramos que, desta vez, Lucas contou com o apoio de vereadores como Fefê, Militão, Pi do Judô e Zé Machado, além de uma estrutura política municipal mais ampla. Ainda assim, o crescimento foi de pouco menos de dois mil votos.
Isso não significa que os apoios tenham sido ineficazes. Votos não são transferidos automaticamente de uma liderança para outra, e cada eleição possui circunstâncias próprias. Mas o resultado mostra que uma estrutura maior de apoio não necessariamente se transforma em um salto proporcional na votação individual.
ANA TAMBÉM RECUA
Ana Beathalter completa essa fotografia. Em 2022, quando disputou uma vaga de deputada estadual, Ana recebeu 5.791 votos em Atibaia. Em 2024, candidata a prefeita, teve 5.537 votos. Já em 2026, na disputa por uma cadeira na Câmara Federal, recebeu 3.743 votos na cidade.
Ou seja, Ana perdeu 2.048 votos em relação a 2022, uma redução de aproximadamente 35,4%, e ficou 1.794 votos abaixo de sua votação para prefeita em 2024.
É outro sinal de que as urnas de 2026 não reproduziram automaticamente as bases eleitorais construídas nas eleições municipais anteriores.
Julio Mendes passou de 1.995 votos (vereador, 2024) para 5.915 em Atibaia (deputado estadual, 2026), mas esbarrou na falta de estrutura estadual.
E é justamente quando colocamos Saulo, Lucas, Ana e o PL na mesma fotografia que a eleição fica mais interessante. Saulo perdeu votos em Atibaia. Lucas cresceu moderadamente. Ana caiu. E o PL ampliou sua presença eleitoral.
Tudo isso ocorreu em uma eleição na qual não houve um candidato da cidade diretamente identificado com o grupo de Daniel Martini disputando essas duas cadeiras com a mesma força que o prefeito possuía em 2022.
Pode haver diferentes interpretações para essa configuração. Uma delas é que a ausência de candidaturas governistas fortes tenha permitido que Saulo e Lucas buscassem seus próprios votos, sem uma fragmentação adicional do eleitorado local. Outra é que o governo municipal tenha preferido concentrar sua força política em outras disputas, inclusive na consolidação do próprio PL, o que de fato ocorreu.
A intenção estratégica, entretanto, só pode ser afirmada pelos próprios envolvidos. Os números permitem afirmar o resultado, não a motivação.
E os números são bastante claros. Em 2022, Saulo e Lucas eram os dois grandes nomes locais das eleições proporcionais: 25.041 e 11.290 votos em Atibaia, respectivamente. Em 2026, Saulo caiu para 18.004, enquanto Lucas subiu para 13.238. Ana recebeu 5.791 votos em Atibaia em 2022 para 3.743 votos na cidade em 2026.
Ao mesmo tempo, o PL, que hoje comanda a Prefeitura, alcançou 53.602 votos com Flávio Bolsonaro e mais de 50 mil votos somados nas disputas de deputado federal e estadual, considerando votos nominais e de legenda.
A eleição de 2026, portanto, não pode ser resumida apenas a quem foi eleito. Ela mostra uma mudança de forças dentro de Atibaia. Para Daniel Martini, talvez esse seja o dado político mais relevante da eleição: sem precisar colocar um candidato da cidade para enfrentar diretamente Saulo ou Lucas, o grupo que governa Atibaia viu seu partido ampliar sua presença nas urnas.
E isso muda a leitura da próxima disputa municipal. Porque, depois de 2026, os grupos políticos de oposição precisarão se perguntar se de fato terão forças para conter a crescimento do PL e da direita conservadora da cidade.



