Variedades

A comunicação pública deve legitimar os cidadãos como protagonistas

Constitui um equívoco reduzi-la a circuitos que estão intrinsecamente associados à comunicação das elites brasileiras.

Luiz Gonzaga Neto

A comunicação pública precisa incorporar processos democráticos e competentes que estão presentes na comunicação popular e na comunicação comunitária. Constitui um equívoco reduzi-la a circuitos que estão intrinsecamente associados à comunicação das elites brasileiras. A afirmação é do professor Wilson Costa Bueno, professor da Escola de Comunicações e Artes da USP, onde estudei nos anos 70 do século passado e estou voltando para fazer um MBA (falarei sobre esse curso em um próximo artigo). Segundo o professor, em texto para a ABCPública, a comunicação pública tem se defrontado, nos últimos anos, com inúmeros desafios, decorrentes de uma série de fatores. Resumidamente, podemos identificar e explicitar esses desafios a partir de dois focos principais: 1) a ambiguidade com que gestores públicos, profissionais e mesmo estudiosos da comunicação contemplam o seu conceito e 2) a adesão a práticas e ações comunicacionais que não se afinam com os objetivos de uma comunicação pública autêntica. “Especialistas que têm se empenhado em caracterizar o ethos da comunicação pública brasileira evidenciam a necessidade de diferenciá-la de outras modalidades de comunicação que, embora aparentemente próximas a ela, servem apenas para estabelecer limites imprecisos, ou totalmente inadequados, para a sua categorização. Referimo-nos especificamente à comunicação política e à comunicação governamental que encerram vieses relevantes, e que comprometem o entendimento que deveria prevalecer sobre o que constitui, efetivamente, uma verdadeira comunicação pública”, apontou o professor Wilson. Ele citou em seu artigo Beth Brandão, profissional, pesquisadora e estudiosa, que “repetia, com lucidez e competência, que a comunicação política se potencializa pela expressão de ideias, crenças e opiniões de natureza estritamente política e que, quase sempre, está contaminada por compromissos com programas de partidos políticos e até interesses pessoais de seus representantes. Neste sentido, ela alimenta o processo de polarização que tem penalizado o debate democrático em nosso país. Para ela, a comunicação pública “não deve ser confundida com a comunicação governamental, que também incorpora alguns vieses, muitas vezes pelo fato de assumir uma perspectiva que se identifica com a promoção pessoal dos atores que dela se utilizam”. Atenção, Câmara e Prefeitura de Atibaia!