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HISTÓRIAS DE ATIBAIA – Folclore e turismo de Atibaia são valorizados pelo Estado

Em 1954, o jornal O Estado de São Paulo publicou um extenso editorial destacando a forma como Atibaia valorizava e preservava suas manifestações populares. Os elogios concentravam-se na revitalização das tradicionais festividades de fim de ano e nos impactos positivos que essas celebrações passaram a exercer sobre o turismo local.

Márcio Zago

Em 1954, o jornal O Estado de São Paulo publicou um extenso editorial destacando a forma como Atibaia valorizava e preservava suas manifestações populares. Os elogios concentravam-se na revitalização das tradicionais festividades de fim de ano e nos impactos positivos que essas celebrações passaram a exercer sobre o turismo local.
À frente dessa iniciativa estava João Batista Conti, cuja atuação encontrou respaldo na administração do prefeito Walter Engrácia de Oliveira, possibilitando a recuperação e o fortalecimento de expressões culturais que se tornariam importantes atrativos da cidade.
O Atibaiense repercutiu a matéria do Estadão, ressaltando que João Conti realizara esse trabalho sem qualquer remuneração e lembrando que, pouco antes, havia doado seu acervo pessoal ao recém-inaugurado Museu Municipal, instituição que, mais tarde, passaria a levar seu nome. Tratava-se de um momento singular na história cultural do município, quando artistas, pesquisadores e intelectuais encontraram apoio do poder público para transformar ideias e projetos em ações concretas de valorização da cultura local.
Esse cenário foi resultado de um trabalho contínuo de divulgação da imagem de Atibaia, desenvolvido por João Conti e Walter Engrácia de Oliveira em congressos de folclore, turismo e municipalismo realizados em diferentes regiões do país. Por meio de teses, conferências e intervenções em encontros especializados, ambos procuraram demonstrar que a preservação das tradições populares poderia constituir não apenas uma ação cultural, mas também uma estratégia de desenvolvimento econômico e, principalmente, turístico.
O editorial de O Estado de São Paulo reconhecia justamente esse caráter pioneiro da experiência atibaiense. Ao comentar a revitalização das festividades de fim de ano e sua associação ao turismo, o jornal afirmava que Atibaia se destacava como um dos primeiros municípios paulistas (e possivelmente brasileiro) a tratar o folclore como um patrimônio vivo, capaz de produzir benefícios culturais, sociais e turísticos para a coletividade. O texto lembrava ainda que essa vocação não era recente. Desde o final do século XIX, a cidade dava apoio as manifestações populares como congadas, cavalhadas e, em épocas anteriores, o caiapó, tradições que despertaram o interesse de estudiosos e viajantes.Segundo o editorial, o mérito de Atibaia estava não apenas em preservar essas manifestações, mas em lhes conferir novos significados.
Entre elas destacava-se o programa folclórico integrado às festividades natalinas de 1953, considerado pelo jornal uma experiência pioneira ao utilizar oficialmente o folclore como instrumento de atração turística.Essa concepção foi defendida pelo prefeito Walter Engrácia de Oliveira no I Congresso Nacional de Turismo, realizado em Campos do Jordão, em 1953. Em sua tese, intitulada “Folclore como Atrativo Turístico”, o engenheiro analisou exemplos de diversos países europeus como Suíça, França, Dinamarca, Noruega, Itália, Holanda e Portugal para demonstrar como as tradições populares podiam contribuir para o desenvolvimento do turismo.
Ao abordar a realidade brasileira, dedicou especial atenção à experiência de Atibaia e concluiu propondo que os governos federal, estaduais e municipaispromovessem regularmente festivais folclóricos e evocações históricas inspiradas nas tradições e na história nacional. A proposta foi aprovada por unanimidade pelos participantes do congresso.Mais do que uma simples estratégia de promoção turística, a iniciativa atibaiense revelava uma compreensão avançada da relação entre cultura e desenvolvimento. Décadas antes de conceitos como patrimônio imaterial e turismo cultural se consolidarem nas políticas públicas brasileiras, Atibaia já experimentava formas de transformar suas tradições em elementos de identidade, educação e atração de visitantes. O reconhecimento obtido na imprensa paulista e nos congressos especializados demonstra que a cidade ocupou um lugar de destaque nesse movimento, tornando-se referência para iniciativas que, posteriormente, seriam adotadas em diversas regiões do país.

Márcio Zago é artista plástico, artista gráfico de formação autodidata, fundador do Instituto Garatuja e autor do livro “Expressão Gráfica da Criança nas Oficinas do Garatuja”. Criador e curador da Semana André Carneiro.